25 de junho de 2016

O machismo nos dias de hoje

 
"É espantoso como os machistas se extinguiram todos da face do planeta. Se precisarmos de um, para uma experiência social, por exemplo, ou para pendurar um casaco, não encontramos, porque todos (e todas) nos respondem: Eu não sou machista!

É mais ou menos como os racistas… Também não há.
Isto seria fantástico se fosse verdade, mas o que constato diariamente é que, difícil, difícil é encontrar alguém que não seja e é muito fácil tropeçarmos em vítimas deste conceito.

Todos os dias e a toda a hora e mesmo que nos pareça que algumas idiossincrasias não trazem mal ao mundo ou são de relevar porque é uma questão de educação, de tradição, de tesão ou de outro “ão” qualquer, quando uma pessoa pensa de determinada maneira numa questão pouco importante, será, com certeza, mais radical no que é fraturante. As pessoas podem civilizar-se, mas dificilmente mudam a sua natureza e o sentimento de posse ou de superioridade é normalmente demasiado básico para desaparecer, sem muito trabalho e autocrítica.

Conheço muito poucas mulheres que não sejam machistas e homens, não conheço nenhum, ainda que eles fiquem muito fofinhos quando dizem o contrário. Senão vejamos:
Quando um homem vai ao barbeiro, ninguém diz que tirou um tempo para si, muito menos quando anuncia que vai fazer a barba. Assume-se que faz estas coisas por que precisa, por uma questão de higiene. Mesmo que de barba ou cabelo compridos, não ande obrigatoriamente sujo.
Se uma mulher vai cortar o cabelo ou à depilação já é todo uma outra classificação… Está a mimar-se, a dar-se um descanso.
Se um homem vai às compras, está a ajudar em casa e a efectuar uma tarefa sem nenhum divertimento, uma coisa tipo caça ou obrigação de nutrir a família. Se é uma mulher no Pingo Doce, já se imagina todo um momento lúdico entre as cavalas e corredor dos detergentes, quem sabe até, uma festa do iogurte.

Gostava de entender como classificamos os afazeres e o tempo dos homens e das mulheres. O que é que é diferente que eu não vejo?
Eu, por mim, conto tudo igual, até o tempo que se leva a fazer cocó. Está certo que nós demoramos mais, mas só vamos uma vez, eles passam lá a vida.
Quando o marido faz o jantar, ajuda muito em casa, “tiveste muita sorte” porque ele é o máximo e eu juro que não me lembro de ouvir alguém, alguma vez, dizer o mesmo em relação a uma mulher. Mas ficava bonito: Que sorte que tu tiveste, meu bundão preguiçoso, ao arranjar alguém para te alimentar todos os dias, hã?

E vai por aí fora, passando obrigatoriamente pelos comportamentos e pelas tropelias sexuais que são sempre, senão bem vistas, pelo menos aceites, nos homens e altamente condenáveis nas mulheres.
Não vejo mal nenhum em que seja uma mulher a fazer o jantar se é ela, na equipa, que melhor cozinha e se é a que mais gosta de o fazer, mas deve ter-se presente que, o outro membro do casal tem que descobrir o que conhece de prendas domésticas de modo a dividir realmente o trabalho que implica a sobrevivência e se ele não descobrir nada, mandem-no viver com a mãe outra vez. Uma pessoa que não é capaz de cuidar da própria subsistência não deve ter grande interesse, digo eu."

Original: Capazes.pt